"Nunca mais vou ser caloira"
Esta frase é fria. É crua. Mas, por mais que eu não queira, é
verdadeira. É uma afirmação que eu
jamais poderei negar, embora queira tanto fazê-lo. Pensando bem, isto seria
apenas o final de um ano lectivo, como tantos outros que já passei. Contudo,
agora tudo é diferente. A maneira como escolho viver cada dia rapidamente se
transformou numa vontade de viver cada minuto ao máximo, sem desperdiçar um
único momento. Quantas vezes já o fiz na minha vida? Este ano, decidi ser
diferente. Ao entrar na universidade, em Setembro, e deparar-me com uma nova
cidade, uma nova etapa e novas pessoas, nunca pensei que Braga seria a minha
segunda casa, que esta etapa seria repleta de tanta alegria e descoberta do
desconhecido e, acima de tudo, nunca soube o quanto estas pessoas significariam
para mim, que se tornariam numa segunda família. Vestida com roupa de verão,
com as letras “C.C” escritas na testa, com batom vermelho, sem fazer ideia do
que era este tal ritual chamado de “praxe”, atirei-me de cabeça para ele. Por
um lado, por ser aventureira. Por outro, porque queria descobrir o que era por
mim mesma e desde o início que tive a certeza que iria acabá-la e levá-la até
ao fim. Não sabia como. Ainda não sei,
mas o sentimento que sinto começa, pouca a pouco, a aproximar-se do sentimento
que terei quando uma das pessoas mais importantes que alguma vez conheci tirar
o seu tricórnio, enchê-lo de água e “baptizar-me” como sua afilhada.
O passar do tempo é algo que me assusta
bastante. Às vezes, tudo o que eu queria era fazer uma pausa e apenas apreciar
o que se passa ao meu redor, tal e qual como é. Sem pressas de chegar, sem medo
de partir. Quero ser, e só ser. Quero estar, e só estar. Quero saber, saber que
tudo isto não tem um fim, mas sim um “continua...”, um próximo capítulo. Não me
quero despedir, não quero sentir o que terei de sentir, de que este ano jamais
se repetirá, que estes momentos estarão congelados no tempo e que, com o passar
do mesmo, irei dar tudo para voltar ao “aqui e agora”, ao que estou a viver,
ainda. Ao pensar em como este ano voou,
literalmente, dou por mim a pedir – não, a implorar – que as próximas semanas
passem lentamente, que eu seja forte o suficiente para saborear cada momento,
sorrir em cada instante e agradecer a quem fez deste ano, um ano tão feliz. É
nestes momentos, no silêncio do meu quarto, enquanto ouço o despertador que me
acordará bem cedo, pela manhã, que sei o que não quero saber:
Nunca mais vou ser caloira.

